| — | Caio Fernando Abreu |
terça-feira, 28 de agosto de 2012
“A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas? Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. As vezes esse alguém aparece, outras vezes, não.”
domingo, 26 de agosto de 2012
sábado, 25 de agosto de 2012
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Dessa vez não deu certo e da outra vez também não deu. Mas quem sabe daqui alguns meses, ou ano que vem? Quem sabe a gente se esbarra numa balada qualquer e voltamos a nos conhecer? Quem sabe você me pega desprevenida e aparece no meio do meu casório bem naquela parte “Se alguém aqui tem algo contra esse casamento, que fale agora ou se cale para sempre”? Aí quem sabe a gente aproveita e foge, mora juntos, casa, arruma filhos e vivemos aquela história toda que no inicio não deu nadinha certo? É, quem sabe. Mas enquanto não acontece, eu fico aqui sentada de pernas cruzadas, cruzando os dedos para que da próxima vez nossos caminhos se cruzem.
“Na faculdade, conheci muita gente. Alguns ficaram mais próximos, outros não. Com alguns eu saía, tomava cerveja, comia bauru. Com outros, eu estudava, ia até a biblioteca, tomava cafezinho na hora do intervalo. E com outros eu pegava carona. E com outros eu desabafava. Na hora do intervalo, a moçada fala da vida. O que jantou ontem, quando marcou hora no salão para cortar a franja, a sessão de te
rapia que foi libertadora, a briga com o Carlinhos, a mãe que vai se separar do pai. São amigos de ocasião. Naquele momento, são seus amigos. Naquele momento, você conta com eles. Naquele momento, vocês trocam confidências. Naquele momento, frequentam a casa um do outro. E depois cada um segue a sua vida, sem briga, sem mágoa, sem nada, apenas com o distanciamento natural da vida. Muita gente passa e vai passar pela minha vida. E pouca gente vai ficar. Quer saber? Não me sinto mal com isso, não. Tenho amigos de infância. Tenho amigos de faculdade. Tenho amigos dos tempos de escola. Tenho amigos das agências em que trabalhei. Tenho amigos virtuais. Tenho amigos no salão de beleza. Tenho amigos no meu prédio. Nossa, como eu tenho amigos, certo? Errado. Muito errado. Eu sei, sei que é bem melhor dizer fulano-é-meu-amigo do que fulano-é-meu-conhecido. Também sei que é um saco ter que batizar tudo a toda hora. Mas amigo é amigo, conhecido é conhecido. De vez em quando a gente troca as bolas e se estrepa lá na frente. Então vamos reformular as coisas: existem algumas pessoas que você jura que são amigas. Porque você convivem muito com você. Porque te entendem. Porque conhecem todos os seus sorrisos. Porque têm intimidade com sua família. Porque já estiveram junto com você nas horas difíceis. Porque são boas companhias. Porque fazem um cosmopolitan maravilhoso. Essas pessoas podem ser conhecidas. Ou amigas de ocasião. Como assim? São aquelas pessoas que você conheceu no trabalho, na academia, pela vida afora. Gente bacana, do bem, que é legal ter perto. Gente que te diverte, te alegra. Gente que sai com você pra jantar, beber, jogar carta, assistir filme, viajar. Gente que você curte bater um papo mais cabeça, mais profundo. Gente que você conta um pouco da sua vida. Gente que você quase confia totalmente. Quase. É porque amigo mesmo faz tudo isso. E ainda dá três pulinhos quando um sonho seu se realiza. E ainda vibra por você a cada coisa bacana que te acontece. E ainda respeita o teu espaço. E ainda entende que para ser amigo não precisa estar colado com fita dupla face. E ainda não sente a menor inveja de você. Entendeu? Agora conte nos dedos de uma mão quem restou. Esses são amigos. O resto é conhecido. E fim de papo.”
— Clarissa Corrêa.
— Clarissa Corrêa.
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